quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Amamentação, cadê o prazer?

Confesso o meu erro, li muito sobre a gestação mas li pouquíssimo sobre o pós-parto e recém nascidos. Acho que eu tava tão ansiosa pra nascer logo que nem me dei conta desse grave.

A primeira semana depois que a Lara nasceu foi a mais sofrida da minha vida, era um misto de sentimentos de felicidade, frustração, dor e etc...Eu já sabia que poderia sofrer (um pouquinho vai) porque não tinha bico direito e além disso eu não consegui tomar sol no peito também.

Assim que você sai da cesárea eles trazem o baby e colocam pra sugar o seu peito pra estimular a saída do leite (coisa que no parto normal é outra história). Lara deve ter ficado umas 2 horas no peito só na sala de espera, até aí tudo bem porque eu não sentia nada. Quando cheguei no quarto a enfermeira foi logo falando: -Olha ela precisa mamar de 3 em 3 horas. -Tá, mais quanto tempo? -Quanto ela quiser... -Ok

Fui premiada com um quarto horrível, o ar condicionado não prestava, o ventilador era mais alto do que motor de caminhão e eu tava derretendo!! Enfim, eu já tinha dado mais de 2h30 de peito pra ela e ainda não tinha resolvido. Liguei para o atendimento ao cliente (enfermaria) e reclamei com a moça: -Olha não tá funcionando :'( ela sugeriu que a gente desse o "leitinho" que é complemento. Eu achei o máximo, tava exausta e foi tiro e queda, tomou 20 ml do leite bombado e capotou. Eu dormi horrivelmente mal por causa do calor e também porque toda hora tinha que tomar algum remédio ou fazer curativo.

O segundo dia foi pior, os bicos do seio já começaram a ferir e toda hora vinha uma enfermeira "verificar a produção" (cada apertada eu só pensava "beeeeeaaaccchhh" :P) e Lara continuava mamando, tava doendo mais ela ficava lá penduradinha e eu não tinha escolha. Resumindo, eu tive que ficar mais um dia no hospital por conta da amamentação porque os bicos estavam muito feridos.

Em casa, foi punk já no primeiro dia! A gente acordou juntas chorando, ela querendo mamar e eu sem condições físicas, psicológicas de amamentá-la. Compramos o complemento mas o Júlio não tinha achado a colherzinha de medir e fez praticamente um leite-agua pra ela à noite e não sustentou, resultado: acordou faminta. Os meus dois seios estavam lascados e não tinha condições de dar porque a dor era insuportável, graças a Deus achamos o medidor e fizemos do jeito certo. Ela mamou e dormiu, eu aproveitei pra descansar e tentar produzir um pouco de leite. A médica disse que eu tinha que descansar pra produzir leite e como é que descansa? Ainda mais cortada da cesárea.

Se não fosse ajuda da minha #consultoraMORdeMaternidadeeAmamentação (Luciana, sua linda!) eu acho que teria desistido de amamentar, ela me ajudou com umas pomadas, conchas, bombinha...além disso 1001 pessoas dizem 1001 coisas pra você enfiar no peito, casca de num sei o quê, trezentos tipos de óleos, pomadas e outras simpatias que se você for fazer tudo fica louca! Além disso eu comecei a ir no banco de leite e me ajudou demais na pega e também com uns remedinhos pra cicatrizar.

É isso, acho melhor não contar que eu rasguei o sofá da sala porque toda vez que ia amamentar a dor era tão grande que eu ficava me debatendo. Mas lembro que um dia eu perguntei pra médica do banco de leite: - O pessoal diz que amamentar dar prazer, cadê ele? - Ela sorriu pra mim e disse, vai chegar...

Aqui estou eu, depois de 3 meses (agora com amamentação exclusiva), tive infeção no peito e a Lara ainda teve alergia a proteína do leite (ou seja, não podia tomar leite ou comer nenhum derivado nesse tempo), mas digo que o prazer não está no hormôniozinho que é liberado quando ela suga, o maior prazer é ver ela feliz e tranquila enquanto mama, ver as perninhas rechonchudas crescerem, mesmo tendo que dar de mamar no shopping, igreja, sala, cozinha, banheiro, de madrugada...toda vez que eu olho pra ela mamando e nossos olhares se encontram eu digo: -Eu te amo! E logo em seguida ela abre um sorriso ou ainda faz um barulhinho como se dissesse: - Eu também!

E esse é o começo da minha história, eu perdoou todas as mães que não me contaram que eu iria sofrer com isso..agora entendo que o que vem depois da dor faz a gente ter amnésia maternal.